13/02/2012

Caso Eloá: a parcela de responsabilidade da mídia


Por Ramilla Rodrigues

Foto: Danilo Verpa/Folhapress
Entre os dias 13 e 17 de outubro de 2008, o Brasil parou em frente à TV para acompanhar o caso de cárcere privado mais longo da história de São Paulo. Eloá Cristina Pimentel, então com 15 anos, foi mantida por cerca de cem horas sob o domínio do ex-namorado, Lindemberg Alves, de 22 anos. Três amigos também foram mantidos sob o cárcere.

Durante esses dias, o que houve foi ampla espetacularização do caso. A mídia, que cobria noite e dia as negociações, transformavam as tardes brasileiras num espetáculo da vida real. Qual seria o episódio do dia?
Em uma negociação classificada por especialistas em segurança como desastrosa, uma das principais estratégias a serem utilizadas pela defesa de Lindemberg será o de atribuir uma parcela de culpa à polícia e à imprensa. A primeira por não ter conduzido as negociações de forma que Eloá não sofresse riscos e por permitir que uma das vítimas, já liberada, voltasse ao cativeiro. Já a imprensa por ter atrapalhado a negociação.


A controvérsia foi gerada pelo fato de a apresentadora Sônia Abrão, em seu programa A Tarde é Sua (RedeTV!), ter entrevistado o criminoso e a vítima por telefone, bloqueando o acesso da polícia. O Ministério Público Federal moveu Ação Civil Pública contra a emissora pela veiculação de duas entrevistas, uma ao vivo e outra gravada, sob a justificativa de interferência nas atividades policiais e de colocar a vida de Eloá em risco (saiba mais aqui).

Além de Sônia Abrão, uma jornalista da Rede Globo e outro da Rede Record também entraram em contato com o sequestrador. Em entrevista ao portal Terra, o sociólogo Rodrigo Pimentel disse que a ação da mídia foi “criminosa e irresponsável”, pois por meio desta conduta de “deixar o tomador das reféns mais nervoso, como deixaram, poderiam atrapalhar a negociação, como atrapalharam”. A defesa convocou, além da apresentadora, mais quatro jornalistas. 

Mas a mídia tem responsabilidade no caso? Se pensarmos que ela pode ter deixado o sequestrador mais nervoso, é possível afirmar que sim. Além disso, diuturnamente o caso aparecia em todos os veículos de comunicação, e Lindemberg ganhou notoriedade, inclusive na mídia internacional. Não é crime tentar contatar o sequestrador, do ponto de vista legal, mas irresponsabilidade em transformar uma séria situação em uma novela da vida real, onde infelizmente, o final foi trágico. 

1 interações:

Anônimo disse...

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