9 de out de 2014

Ponderações sobre o segundo turno presidencial

de Aghata Gontijo e Gabriel Shinohara

O horário político para presidentes já recomeçou e o segundo turno é uma disputa acirrada entre um pouco mais do mesmo. Aécio e Dilma colorem o mapa do Brasil nas cores azul e vermelha assim como os militantes virtuais colorem as paginas das redes sociais com plaquinha de apoio abaixo de suas fotos de perfil, uma manifestação direta, ligada a sua identidade. Compara-se aos adesivos que enfeitam o peito dos eleitores nas zonas de votação, mas dessa vez com o caráter virtual.

E por falar em manifestações o resultado do primeiro turno para a presidência deixa pairar sobre as cabecinhas brasileiras o ‘e aí?’. O papel dos manifestantes que abarrotaram as avenidas em julho de 2013 agora é justificar o que aconteceu nas urnas ou tentar compreender o fenômeno. Dilma liderou a fila indiana dos candidatos até aqui, seguida de pertinho por Aécio e de não-tão-pertinho-assim por Marina. E entre escândalos de corrupção, acusações com provas, acusações sem provas, aviões, Petrobrás e tudo mais o que se espera nessa época, o famigerado: e aí?


Os candidatos escolhidos no ano de 2014 para disputarem essa fase final, representam partidos que já são conhecidos do cidadão brasileiro no poder, talvez por isso as críticas brutais de ambos os lados, talvez por isso o número tão expressivo de votos. Marina seguiu em segundo lugar nas pesquisas até certo ponto, não embarcou seu discurso de nova politica, e na reta final caiu progressivamente para dar lugar a Aécio, que escalou os números mais vagarosamente por não ser tão conhecido pelo eleitor, mas que agora apresenta chances grandes de interromper o governo petista.

São Paulo parece ser o grande reduto de eleitores do PSDB e prova isso com a reeleição do governador Geraldo Alckmin, mesmo após escândalos de corrupção (cartel dos trens) e a falta de água no sistema Cantareira, que mesmo admitida por diretores da Sabesp, não recebe a devida atenção do governador. Eleitores de Alckmin e de Neves, que defendem que uma alternância no poder é saudável para a democracia, continuam a votar nos mesmos políticos há mais de duas décadas para o governo do estado.

Essa semana os ex-candidatos, derrotados no primeiro turno, tinham a tarefa de esclarecer sua posição. Quem apoiaria ou não que governo. O PSB declara seu apoio a Aécio, assim como o candidato do PV Eduardo Jorge. Luciana Genro, uma das candidatas mais comentadas nas redes sociais, diz não apoiar nenhum dos candidatos, apesar de seu partido o PSOL defender o não voto no Aécio Neves.

Paulistas x Nordeste

Após a confirmação da disputa de Dilma Rousseff e Aécio Neves no segundo turno, as redes sociais se encheram de discussões políticas e ataques que, algumas vezes, chegam a passar dos limites da lei.

O tumblr “essesnordestinos” denunciou discursos de ódio que apareceram nas redes sociais nos últimos dias, culpando a presidente Dilma Rousseff e os nordestinos pela imaginada situação do país.



O ataque é muito baseado no programa de distribuição de renda do governo, o Bolsa Família, que muitos dizem ser assistencialismo e que fortalece a “preguiça” dos beneficiados. Alguns dizem que o programa se configura em compra de votos e que só os burros votam na candidata do PT. As declarações chegam a níveis mais graves, de propagar discursos de ódio e apoio ao genocídio de nordestinos.

A usuária Alexandra Santos declarou: “é isso aí, pobres e negros que votem no PT, agora com Marina fora de jogo nao (sic) necessitamos de votos de miseraveis (sic), queremos votos de pessoas de qualidade. Negros e favelados que se fodam!!”, já a usuária @lovatoporra diz “só aqueles nordestinos malditos que votam na dilma (sic) nossa espero que nunca mais chova la seca pra sempre”.


Discursos de ódio, ataques xenofóbicos e raciais são crimes e um atento a democracia. O Ministério Público Federal do Ceará já está investigando oito declarações, contra cearenses. A OAB também ingressou com uma representação solicitando que ações penais sejam abertas.

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