3 de nov de 2014

Manipulação de dados em pesquisas eleitorais da campanha do PSDB para o Planalto

de Eduardo Meirelles e Gabriel Shinohara


Tornou-se notório que o instituto Veritá apresentou estatísticas erronias e manipuladas, em contexto nacional, para favorecer o ex candidato à Presidência da República, Aécio Neves (PSDB). O partido de Aécio realizou uma pesquisa em Minas Gerais, onde supostamente o candidato teria maior número de votos, pelo fato de já ter sido governador e afirmar ter mais de 92% de aprovação. Dado não confirmado pelas eleições do último dia 26.
O partido apresentou ao eleitorado a informação de que o candidato estaria com 14 pontos à frente da candidata Dilma Rousseff (PT), a presidente estaria com 43% e Aécio com 57%. A manipulação e a utilização erronia da estatística foi confirmada pelo próprio dono do instituto Veritá, Adriano Silvoni e o estatistico responsável pelo instituto, Leonard de Assis, que em entrevista, afirmou que o PSDB não poderia utilizar os dados nesse contexto nacional, ''não representa o Estado'', informou Assis.
Usaram erroneamente a pesquisa logo após o primeiro turno, em que a candidata do PT apareceu em vantagem. O dono do instituto ainda informou em entrevista ao jornal O Tempo, que teria alertado o partido de que os dados não poderiam ser apresentados para um representação nacional e que havia realizado uma nova pesquisa que seria apresentada um dia antes as eleições, na qual Dilma Rousseff liderava, mas os números não foram divulgados por pressão do partido de Aécio sobre o sócio de Silvoni, como o mesmo acredita ter acontecido.
Porém, ao notar que o nome da empresa estava ficando ''arranhado'', Leonard Assis divulgou o resultado da última pesquisa popular em que Dilma aparecia com 53% contra 47% de Aécio e ainda informou que o instituto Veritá foi pressionado por agentes externos para não divulgar a candidata do PT à frente das pesquisas.

Instituto Paraná Pesquisas
O caso do instituto Veritá não foi único na campanha de Aécio Neves. A primeira pesquisa de intenções de voto no segundo turno, publicada pela revista Época, foi contestada pela coligação “Forca do Povo” da presidenta Dilma Rousseff. A coligação entrou com um processo no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) questionando a metodologia e solicitando acesso ao sistema de pesquisas do instituto.
Informações da Revista Forúm e do site Yahoo!Notícias explicitam que o diretor do Instituto Paraná, Murilo Fidalgo, está cotado para dirigir a empresa estatal de tecnologia da informação do Paraná, estado que reelegeu o governador e apoiador da candidatura de Aécio Neves, Beto Richa (PSDB). Essa informação não saiu em nenhum outro grande portal de notícias e, portanto, deve ser vista com ceticismo.
A pesquisa também pode ser questionada porque, segundo seus números, a então candidata Dilma Rousseff perderia um milhão de votos no Nordeste, em comparação com o primeiro turno; além de que, seguindo as porcentagens, o candidato Aécio ganharia aproximadamente 21 milhões de votos contra apenas quatro milhões de Dilma, o que se mostrou uma inverdade nos dias seguintes, com a publicação das pesquisas da Datafolha e do Ibope.
Os sites da Revista Época (que encomendou a pesquisa) e da Revista Veja deram a notícia sem questionar a autenticidade dos números fornecidos por um instituto desconhecido do público e que, até então, havia realizado apenas duas pesquisas em âmbito nacional. Já os portais da Revista Exame e do jornal Valor Econômico noticiaram os números, mas se atentaram a esse importante detalhe, dizendo que o instituto era pequeno e desconhecido e lembrando que as pesquisas do Ibope e da Datafolha sairiam no dia seguinte.
Todos essas informações alimentaram o questionamento do quão real é o panorama que as pesquisas de intenções de votos fornecem. Em alguns estados, a diferença entre as pesquisas e o resultado das eleições foi enorme. Há o exemplo das eleições para governador do Rio Grande do Sul neste ano, a pesquisa de boca de urna do Ibope dava Ana Amélia (PP) em segundo lugar e Tarso Genro (PT) em primeiro, os resultados finais se diferenciavam totalmente desses números, em primeiro lugar ficou Ivo Sartori (PMDB), que anterioramente estava em terceiro, seguido de Tarso Genro.





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