9 de nov de 2014

A segurança dos jornalistas

de Gabriel Shinohara

No dia 1 de Novembro aconteceram algumas manifestações em várias cidades do Brasil contra o atual e próximo governo da presidente Dilma Rousseff. O protesto em São Paulo, que reuniu cerca de 2.500 pessoas segundo a polícia militar, teve ares de discordância entre os próprios participantes, haviam alguns que defendiam uma intervenção militar e outros que apenas estavam mostrando sua opinião contrária ao governo atual.
Esse protesto foi marcado, não pelo que os protestantes diziam, mas pelo ataque sofrido por dois jornalistas. Gustavo Uribe, da Folha de São Paulo e Ricardo Chapola, do Estado de São Paulo tiveram suas contas nas mídias sociais divulgadas pelo blog Reaconaria em um post em que tinham sua ética profissional posta em dúvida, além de informações pessoais divulgadas. Após terem suas contas no Twitter e no Facebook espalhadas, sofreram ataques pessoais nas redes.
O Brasil é conhecido por ser um dos líderes no ranking de violência contra os profissionais da mídia e esse acontecimento somente reforça o quão expostos estão os jornalistas. Agora com suas faces conhecidas, os dois profissionais citados podem não se sentir mais seguros exercendo sua profissão. Além de criar um antecedente para qualquer outro profissional que precise cobrir os protestos, o risco de ter sua vida pessoal invadida agora é real e baseada em acontecimentos antecedentes.
Não há nenhuma garantia que esses ataques não superem o digital e passem para o físico, alguns jornalistas já sofreram com isso nas manifestações de Junho de 2013, a diferença foi o agressor, anteriormente a polícia e não os manifestantes.
Imagem: ultimosegundo.ig.com.br


Ações
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou uma nota repudiando “a incitação de violência e o assédio contra os repórteres encarregados da cobertura de manifestação pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff”. A nota ainda afirma que a divulgação de dados dos profissionais é uma afronta a liberdade de expressão e que condena toda a forma de violência contra jornalistas, além de pedir a rápida identificação dos responsáveis.
O deputado estadual Carlos Bezerra (PSDB) também agiu em defesa dos profissionais. No último dia 7 foi solicitado por ele que a Polícia Federal, o Ministério Público de São Paulo e o Federal se envolvam nas investigações sobre o caso, procurando identificar e punir os autores das ameaças, além de que, por exigência de Bezerra, os meios de financimento do site também fossem alvo da investigação.
A incitar um clima de ódio contra a cobertura de imprensa e promover assédio pessoal aos profissionais dela encarregados, o website apócrifo atenta contra a liberdade de expressão, afetando não apenas as pessoas assediadas e os jornais para os quais trabalham, mas também o direito que toda a sociedade tem de ser informada'' disse Bezerra, se referindo ao blog Reaconaria.


Opinião
Esses ataques pessoais são possíveis porque ainda há um clima de impunidade na internet. Os usuários acham que nada do que é dito é passível de punição, mesmo com exemplos anteriores como o da estudante universitária Mayara Petruso que foi condenada a 5 meses e 15 dias (posteriormente convertida em prestação de serviços comunitários e multa) por proferir frases racistas no Twitter.
Chega a ser inusitado que uma classe que sempre teve seus interesses defendidos pela mídia (vide o herdeiro do Estado de São Paulo que esteve presente em manifestações pró-Aécio) se diga vítima de uma mídia golpista. Ainda mais quando o semanário de maior circulação do país tenha adiantado sua edição (para antes das eleições) para exibir uma matéria de capa atacando, sem bases e sem provas, a candidata que não era de seu interesse. A edição citada foi proibida de ser propagandeada e o direito de resposta foi quase que imediatamente concedido à vítima.



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