20 de jun de 2011

Greve na Bahia paralisa aulas em Universidades Estaduais

60 mil alunos sem aulas há quase dois meses, governo se recusando a negociar, professores e alunos fazendo manifestações. Esse é o quadro das universidades estaduais da Bahia, as UEBAS. O estopim da greve foi o Decreto 12.538/2011 o qual congelava os salários dos professores até 2012 assinado pelo governador da Bahia, Jaques Wagner. A classe docente reivindica ainda a incorporação da gratificação CET (Condições Especiais de Trabalho) ao salário base, sem a restrição de quatro anos sem ganhos salariais para categoria.

A greve conta com apoio do movimento estudantil que reivindica melhoras na estrutura das universidades, mais investimentos nos cursos de extensão e laboratórios. Na UNEB – Universidade do Estado da Bahia, a maior do estado, no Campus III, localizado em Juazeiro, sertão do estado, são ministrados quatro cursos de graduação: Direito; Engenharia Agronômica; Pedagogia e Comunicação Social – Jornalismo em Multimeios. Ao todo são mais de 600 alunos sem aula há mais de 30 dias.

No campus de Juazeiro recentemente foi criado um bloco que inclui quatro novas salas e banheiros para abrigar os alunos de Jornalismo. Antes, as aulas eram realizadas no bloco de Pedagogia. No entanto, outras necessidades não foram atendidas, como a criação de um laboratório de rádio e televisão, além de uma biblioteca própria para o curso e no próprio departamento do curso (a única biblioteca fica localizada no Departamento de Ciências Sociais o qual abriga um acervo em sua maioria voltado para os cursos de Direito e Engenharia Agronômica).

Nós, estudantes, temos consciência do descaso do governo da Bahia em relação ao ensino superior. Professores são impedidos de sair para fazer um mestrado ou doutorado (imposto pelo Decreto), deixando de aprimorar seus conhecimentos, atingindo diretamente os alunos. Além disso, disciplinas como Inglês e Espanhol são realizadas de 15 em 15 dias porque não há professores disponíveis. Os docentes de línguas estrangeiras vêm de outras cidades. E a contratação de substitutos não pode ser feita devido ao fato do governo proibir a contratação de professores substitutos.

Sem contar os obstáculos físicos encontrados pelos discentes. Muitos moram na cidade vizinha, Petrolina-PE e diariamente atravessamos a Ponte Presidente Dutra para ir à UNEB. O maio empecilho está no ônibus que para na Orla de Juazeiro. Até a universidade é uma longa caminhada sob o sol do meio-dia. Isso porque não há transporte oferecido aos alunos. Não há uma simples van ou um micro-ônibus para transportar os estudantes até a universidade. Se o problema à tarde é o sol, à noite enfrentamos ruas escuras, sem ronda policial e sem fiscalização de trânsito a segurança dos estudantes é ameaçada. Situação pior enfrentam os estudantes do curso noturno de Pedagogia, que têm as aulas encerradas às 22:00 horas da noite.

Essa é um pouco da realidade enfrentada diariamente pelos alunos do Campus III em Juazeiro. Apesar de inumeráveis problemas, seguimos firmes e fortes atrás de nossos sonhos. 


Por: Maria Akemi Yamakawa (Estudante do 2º período de Jornalismo em Multimeios na Universidade Estadual da Bahia).

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