8 de jul de 2011

2011 é ano de Copa




Ano de Copa do Mundo é assim. As ruas são enfeitadas de verde e amarelo; todo mundo dá palpite na escalação; escolas e instituições liberam alunos e funcionários para ver os jogos; e tudo – absolutamente tudo – que tem verde e amarelo tem seu preço nas alturas. Copa do Mundo é assim. Todo mundo tem orgulho de ser brasileiro (isso até a gente não cair frente uma França ou Holanda da vida).

Mas 2011 também é ano de Copa. De Copa? “Ah claro, de Copa América! Neymar tá jogando muito hein?”. Tá, é ano de Copa América. Mas também é ano de Copa do Mundo de Futebol. Lá na Alemanha. “Tá devagar, hein? Copa do Mundo na Alemanha foi em 2006!”. Sim, a Copa do Mundo de Futebol Masculino foi em 2006, na Alemanha. Esse ano a Alemanha é sede da Copa do Mundo de Futebol Feminino.

Agora sim. Tudo ficou claro. Ou não. É Copa do Mundo. Cadê as ruas enfeitadas? Cadê o trânsito engarrafado de gente saindo do trabalho ou da escola para ver os jogos? E as pessoas vestidas de verde e amarelo? Onde está esse clima de Copa do Mundo?

Não vemos isso porque simplesmente as pessoas não sabem. Não sabem porque conta-se nos dedos os jogos de futebol feminino na TV. Vimos alguns durante as Olimpíadas, outros durante o Pan-Americano (o de 2007, só pra constar) e só. Os canais de tv por assinatura pouco noticiam. Os abertos menos ainda. Nem Central da Copa tem.

Na Internet, o volume de informações é um pouco maior, mas nada de extraordinário. A Folha de São Paulo deu seis notícias na quarta-feira (6). Na quinta-feira (7) antes do meio-dia saíram quatro. Quem entra no globoesporte.com acha, logo de cara, uma matéria sobre as “musas da seleção brasileira”. Um blog, vinculado a este site, tem apenas um post sobre o Mundial Feminino, uma lista das jogadoras mais bonitas da competição.

Os poucos jogos de futebol feminino veiculados na televisão ocorreram durante as Olímpiadas e o Pan-Americano e contaram o nítido despreparo de comentaristas e jornalistas. Durante a transmissão da final olímpica das Olímpiadas de Atenas (2004), um comentarista de uma televisão aberta brasileira perguntou ao jornalista quem era a cobradora de faltas oficial da seleção. O jornalista não soube responder prontamente, dando uma resposta evasiva. 

No Pan-Americano de 2007, as jogadoras empolgaram o público. Os jogos eram transmitidos ao vivo. Na final, o estádio lotou. Até o Galvão Bueno comentou da diversidade de torcedores no estádio. Mães com filhos e filhas, pais de família, idosos. E isso tudo num horário excêntrico para uma partida de futebol. Durante todo o jogo, os comentaristas afirmavam da necessidade de olhar para o futebol feminino. Mas esse não é um abandono apenas das entidades de futebol. É um abandono mediático. A prova está aí. 2011 é ano de Copa. Não ouvimos nenhuma vuvuzela.

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