17 de jul de 2011

Mídia que faz e desfaz mitos



Ontem (16) a Argentina caiu na Copa América, em casa, frente ao Uruguai. Pouco tempo depois da derrota nos pênaltis, os principais jornais latino-americanos estampavam em suas páginas principais o triunfo uruguaio e a decepção argentina.
Na página do Olé, o jornal esportivo mais lido da Argentina, a notícia sobre a derrota dos Hermanos possuía um sem número de comentários. E logo no Olé, conhecido por seu humor ácido e uma posição editorial de “tirar sarro” dos adversários (especialmente dos brasileiros), foi invadido por brasileiros, uruguaios, chilenos, mexicanos. Todos provocando os argentinos.

Obviamente, os argentinos também se utilizaram do site para protestar contra a seleção nacional. O técnico Batista foi o principal alvo das retaliações dos torcedores. Mas também sobrou para o presidente da AFA (Associação de Futebol Argentino), Julio Grondona e claro, para os jogadores. Messi e Tevez foram muito criticados, além do capitão Mascherano, expulso quando a Argentina tinha um homem a mais.
A partir disso, cabe uma reflexão. De acordo com os comentários dos torcedores, a mídia também tem um papel na decepção da Copa América. Mas quais são seus argumentos? O primeiro foi o entusiasmo demonstrado pela mídia e contagiante aos torcedores. Ora, nós brasileiros conhecemos muito bem isso (vide Copa do Mundo de 2006). É interessante lembrar que todo esse otimismo não foi necessariamente gerado com a intenção de ludibriar os torcedores. A Argentina possui Messi, o melhor jogador do mundo atualmente e que acabou de ser campeão da Liga dos Campeões (a principal competição do futebol europeu), além de contar em seu elenco com jogadores figurando nos principais certames do mundo.
Tevez, o jogador que perdeu o penâlti, foi outro criticado. Mas não nos esqueçamos do clima criado em relação a ele antes da partida do Uruguai. Durante a Copa América, a mídia frisava uma suposta relação de inimizade entre Messi e Tevez. Messi era cobrado por não jogar na Argentina o que jogava no Barcelona e, durante o hino nacional, não cantar o hino da Argentina. Já Tevez foi “eleito” como o jogador do povo, o menino que cresceu na região pobre de Buenos Aires e venceu através do futebol. No fim, ambos saíram da Copa América pela porta dos fundos.
Em suma, quando uma situação como a da Argentina ocorre em algum lugar, especialmente em países que o futebol é bem arraigado, a mídia não deixa de ser julgada em algum ponto. Ela representaria os olhos do torcedor, e quando esses olhos são enganados ou as expectativas não são cumpridas, o sentimento é de desconfiança e decepção. São os meios de comunicação que criam mitos e expectativas? São os meios de comunicação que corroboram o sentimento de otimismo? Por que eles não nos avisam que há algo errado e ajudam a iludir o torcedor? É claro que a mídia faz e desfaz mitos numa velocidade impressionante. O herói de hoje pode ser o vilão de amanhã e vice-versa. A melhor seleção do mundo pode tornar-se a pior em um segundo. Culpar a mídia não adianta muita coisa em um esporte onde o jogo só acaba quando termina.



*A foto foi retirada do blog: http://movimentobrasileirosunidos.blogspot.com

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