11 de jan de 2012

Big Brother no ar e dinheiro no bolso


Por Ingridy Peixoto

Imagem: Divulgação/Tv Globo

Parece não ter mais volta. Espia lá e comenta aqui. Sim! Aqui na web. A estreia do principal reality show da maior emissora brasileira dá o que falar na Internet. As redes sociais concentram comentários sobre participantes, figurinos, acontecimentos e tudo o que envolve o programa.

Mas também há quem “xingue muito no Twitter” os que ousam falar sobre o Big Brother Brasil (BBB). Não faltam pessoas que critiquem o programa. É só colocar as três letrinhas na busca do microblog para que apareçam mensagens de fãs e dos detratores.

Às vezes parece até estar bem resolvido entre a classe média brasileira que o programa não é um dos que agrega muito à cultura de quem o assiste, especialmente quando até o pai do diretor dá isso a entender em rede nacional, em frente ao apresentador do reality, e no lugar de constrangimento são ouvidos aplausos e risadas (vide aqui).

Se é assim tão ruim como o BBB está na sua 12ª edição? O programa tão mal falado é um dos que mais fatura na televisão brasileira. A edição do ano passado chegou a esgotar as cotas de merchandising e faturou cerca de R$ 400 milhões, de acordo com o portal R7. Mensagens de texto, telefonemas, produtos da marca BBB e, principalmente, publicidade de patrocinadores... a Rede Globo consegue arrecadar o valor do prêmio do último “guerreiro” num piscar de olhos.

O que muitos amantes ou críticos do programa não se dão conta é que a emissora usa espaço público para ganhar esse dinheiro todo. O espectro radioelétrico usado pelos canais de rádio e TV é limitado. Por isso as emissoras devem apresentar uma proposta de programação ao Ministério das Comunicações, que avalia quem tem condições técnicas de produzir bom conteúdo para a população.

 As concessões de TV são renovadas após uma análise feita a cada 15 anos. Porém, essa renovação tem sido realizada de maneira automática no Brasil, sem um debate crítico sobre a programação do veículo. O direito de ver conteúdo relevante na televisão está na Constituição. O artigo 221 do texto prioriza programação com finalidade educativa, cultural e informativa. Também determina a “promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação”, além de “respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família”. É evidente que o Big Brother não é o único problema da televisão brasileira e que é difícil dizer o que é ou não cultura brasileira. Porém, caso a população realmente ache que um programa não deva ocupar espaço público, os representantes responsáveis pela continuidade do exercício de uma emissora têm o dever de defender os interesses do povo. Acontece que muitos políticos têm parte em concessões ou mesmo as possuem e tudo indica que não estejam fazendo o trabalho que lhes é devido da maneira mais justa.

Enquanto uma fiscalização mais rígida do processo de renovação das emissoras não for feita, programas que incomodam um número considerável da população continuarão no ar. Porém, para o alívio de alguns, uma extensão para o Chrome (clique aqui) promete filtrar informações sobre o BBB no Facebook para que os usuários não precisem ler, já que desligar a TV não adianta mais. Ele funciona também para bloquear aqueles que “floodam” a timeline para dizer o quanto odeiam o programa, mas se a curiosidade persistir você ainda pode dar uma espiadinha nos posts que falam do programa.

1 interações:

Ramilla disse...

Aliás, este programa suscita outras sérias questões a serem discutidas: trata-se mesmo de um reallity show, pois o conteúdo é submetido ao processo de edição... Há representantividade e identificação do público com os participantes? E sobre a nova polêmica, um suposto caso de abuso sexual envolvendo dois participantes transmitido em rede nacional. Voltando à questão principal abordada no texto, o BBB (assim como outros reallity shows) tornou-se um amplo espaço de publicidade e marketing, vide os inúmeros patrocinadores deste programa. Só que o problema não é simplesmente resolvido pelo controle remoto.

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