23 de jan de 2012

A Internet contra-ataca

Por Ramilla Rodrigues

Imagem: Google
No dia 18 de janeiro, quem tentou acessar a Wikipedia, famosa enciclopédia virtual que funciona a partir da colaboração dos internautas, deparou-se com o bloqueio da página (ver imagem abaixo). Igualmente, a página principal do Google nos Estados Unidos apresentava uma tarja preta. Tudo isso foi uma forma de protesto, conhecido como blackout, contra os polêmicos projetos de lei Stop Online Piracy Act e Protect Intelectual Property Act, conhecidos respectivamente como SOPA e PIPA.

Os objetivos do SOPA e do PIPA dizem respeito à propriedade intelectual, de forma a penalizar sites por materiais postados pelos usuários. Assim, sites de busca, como Google, Bing e Yahoo podem ser responsabilizados caso mostrem como resultados de pesquisa conteúdo sem obtenção legal dos direitos autorais. As penas podem ser desde o bloqueio do site até a prisão dos proprietários por cinco anos. 

Organizações da Internet já manifestaram repúdio à aprovação do SOPA e do PIPA. Google, Facebook, Twitter, Mozilla, AOL, LinkedIn, Wikipedia, Youtube, além de sites de jogos, organizações que debatem a Internet e até mesmo a Casa Branca. Do outro lado, estão gigantes da indústria de entretenimento e empresas da informática. Apple, Microsoft, McAfee, Siemens¸ Adobe, Dell e Corel já se manifestaram a favor da aprovação dos projetos de lei, justificando o controle sobre a pirataria.

No dia seguinte, Kim Dotcom, fundador do site de compartilhamento Megaupload, e outros executivos da companhia foram presos na Nova Zelândia acusados de difundir conteúdo pirata e causar 500 bilhões de dólares de prejuízo. Como retaliação, a organização hacker Anonymous tirou do ar sites do FBI, Universal, departamento de Justiça dos EUA, entre outros.

Diante deste impasse, alguns internautas mais exaltados dizem que essa será uma guerra virtual, travada entre internautas e governo americano. O principal argumento de quem se apresenta contra SOPA e PIPA é o da tentativa de controle sobre a Internet, que tem potencial democratizante, mas ainda é suscetível a medidas compulsórias. 

Imagem: Wikipedia
É importante ressaltar que o combate à pirataria é necessário, porém há dúvidas se medidas como SOPA e PIPA realmente têm este objetivo. Não basta simplesmente apenas adquirir produtos originais, visto que a rede mundial de computadores é uma forma de democratizar o acesso à informação e ao conteúdo e também de disseminação da cultura à margem do cenário comercial. 

A apropriação da Internet por artistas, que seriam em tese os principais prejudicados pela pirataria on-line, é interessante quando há comparação entre o circuito comercial e o underground. Vários artistas se apropriam da Internet como forma de tornar seus shows mais interativos e os álbuns mais interessantes. 

Dessa forma, é necessário acompanhar a tramitação do SOPA e PIPA. Infelizmente, a decisão tomada pelo Congresso Americano pode afetar milhares de usuários em todo o mundo, que estão utilizando a Internet como forma de pressão social.

0 interações:

Postar um comentário