25 de out de 2011

Cobertura dos Jogos Pan-Americanos 2011

Por Ramilla Rodrigues
Por tempos, nos acostumamos a acompanhar o Brasil nas competições esportivas a nível mundial e regional pela cobertura global. Competições de futebol são mais fáceis de lembrar, visto que é considerado o esporte nacional e paixão dos brasileiros, capaz de parar o país inteiro por 90 minutos.

Não temos propriamente uma cultura de acompanhar outros esportes. O vôlei masculino e feminino conquistou o público brasileiro graças a títulos em escala internacional. Esportes tradicionais no currículo escolar como o handebol e o basquete não têm o mesmo apelo que o futebol e o vôlei. O que dizer, então, de modalidades esportivas pouco conhecidas no Brasil?

Nesse sentido, a cobertura de jogos olímpicos e pan-americanos daria aos espectadores um conhecimento mais amplo, mesmo a título de curiosidade, do cenário esportivo. Não é o que ocorre. O brasileiro tem pouco costume de acompanhar esse tipo de competição. Daí podemos refletir a atuação da mídia e seu papel nesse costume.



A falta de outras opções, causada pela controversa concessão de direitos de imagens, por muito tempo afetou a cobertura esportiva brasileira. Decisões como fazer a cobertura, dando ênfase ao Brasil (por muitas vezes de maneira ufanista) e pouco enfoque no evento como um todo, são alguns exemplos. É claro que esse tipo de angulação leva em conta fatores como o público, por exemplo. Mas o público é heterogêneo e essa característica, infelizmente, é negligenciada.

O caso dos Jogos Pan-Americanos de 2011, em Guadalajara, no México, chama a atenção. A competição nunca teve o mesmo holofote que Olimpíadas ou Copa do Mundo. Teve certo brilho na mídia brasileira quando ocorreram no Rio de Janeiro, em 2006, quando emissoras como a TV Globo alteraram a programação habitual para transmitir as competições.

No caso de Guadalajara, a Rede Record obteve a concessão de transmissão e não a repassou a outra emissora, prática que, vale ressaltar, era realizado pela Rede Globo em alguns casos. A Record assumiu o Pan para si e utilizou artistas da casa como garotos propaganda. A intenção de tirar o monopólio de transmissão da cobertura esportiva foi válida, porém, a Record, iniciante no Pan, cometeu algumas gafes. A mais conhecida delas foi a cobertura da final da ginástica rítmica. A competição já havia ocorrido e o narrador informava que ela ocorria ao vivo. O fato não passou despercebido por usuários que acompanhavam o evento por outras vias, como sites na Internet e redes sociais.

As próximas Olimpíadas serão em Londres, no ano que vem. A Record detém os direitos de transmissão. Mas o que fica para reflexão é: vale a pena ao espectador contar com uma ou outra via de transmissão? Talvez alguns respondam que hoje em dia contamos com a Internet como alternativa à mídia tradicional. É claro que a Internet cresceu bastante e possibilitou outro olhar frente aos acontecimentos. Mas não podemos esquecer que a televisão ainda permite que, ao ouvir um gol do Brasil, as pessoas gritem, pulem e se abracem mesmo sem conhecer umas às outras.

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