15 de dez de 2011

Culpa da imprensa?

Por Brunna Ribeiro

No início do mês de dezembro mais um ministro do governo Dilma caiu. Carlos Lupi, ex-chefe da pasta de Trabalho, acusou a imprensa de ser uma das responsáveis por sua queda. Alegou "perseguição política e pessoal" como o motivo para deixar o cargo. Mas não é esse um dos papéis fundamentais que a mídia tem, o de agir em prol do cidadão? Defender os interesses do povo? Informar e noticiar os fatos públicos que atinjam de forma direta os eleitores?

Por mais que se questione a ética de certos veículos midiáticos, não se pode negar que, muitas vezes, são eles que apontam irregularidades no governo. O ex-ministro do Trabalho não foi o único a ser ‘vigiado’ pela imprensa. Wagner Rossi, ex-ministro da Agricultura, também deixou o cargo após denúncias dos jornais Folha de São Paulo e Correio Braziliense sobre irregularidades em seu governo. E a lista vai além, com outros cinco ministros que pediram demissão no primeiro ano do governo Dilma.

A liberdade de expressão concedida a revistas e jornais os faz porta-voz de muitos atores. Políticos sentem-se à vontade para desabafar sobre assuntos da esfera pública, e ao exporem colegas de trabalho, acabam por se esquecer das relações diplomáticas. O fato é que eles próprios se enrolam nas declarações. E a mídia não perde tempo em explorar tal ato. Não é justo culpar a imprensa por investigar e divulgar verdades obscuras por trás dos bastidores políticos, em que quase ninguém tem acesso.
O ‘quarto poder’, modo como a imprensa é conhecida no meio político, sempre estará disposto a denunciar. Não dá para negar a parcialidade de alguns veículos, pró ou contra governistas. Mas a disputa de quem denuncia antes será válida enquanto houver corrupção e os dois lados dos acontecimentos sejam ouvidos.
O importante aqui, ex-ministro Lupi, é que a função social da imprensa foi exercida com louvor. A população foi esclarecida e a pressão das denúncias expostas na mídia fez mais uma ‘vítima’ justa no Planalto. Resta aguardar para saber quem será o próximo alvo. Abra o olho ministro Fernando Pimentel...

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