21 de jun de 2009

Dinamismo: a língua do povo

A busca por prender a atenção do público é, por certo, uma das grandes promotoras de transformações no formato de produções jornalísticas em todas as mídias.
O Jornalismo que se pretende útil deve ser bem compreendido e, para tanto, necessita dar conta das demandas do espectador. Pesquisar e entender o que esse público deseja ver estampado nos jornais impressos, ou narrado pelos telejornais, por exemplo, é uma estratégia de empresas jornalísticas na infindável luta pela qualidade e, é claro, pelo lucro.
Na prática, o reflexo da opinião pública são as mudanças na dinâmica de apresentação desses veículos. Projeto gráfico, linha editorial e inclusive mudanças na linguagem usada para informar são os principais alvos dessas adaptações.
O telejornal mais assistido do País, o Jornal Nacional, da Rede Globo, é um bom exemplo dos que entenderam que dinamizar é evoluir. Tradicionalmente adepto das velhas diretrizes jornalísticas e já bastante acusado de ser arcaico e desatualizado, o JN optou por celebrar os 40 anos que completa em 2009 de cara nova. Um projeto de reformulação vem sendo aplicado ao longo desse ano em resposta, entre outras demandas, a uma pesquisa realizada pela emissora que demonstrou que boa parte do público gosta do Jornal, mas não o entende perfeitamente. As novidades incluem uma renovação da linguagem, além de tornar o noticiário mais informal com a inserção de comentários de seus apresentadores e da dinamização do tempo, permitindo maior liberdade para as entradas ao vivo dos repórteres.
A Folha de São Paulo, jornal impresso de grande circulação no Brasil, também resolveu, em 2006, trazer para o seu projeto gráfico algo que corresponda à realidade do público: mais objetivo e prático. De acordo com o Jornal, a ideia era de atender tanto ao leitor que dispõe de tempo para ler o Jornal quanto àquele que busca por informação rápida. Segundo o designer Mario García, o projeto levou em conta as mudanças nos hábitos de leitura, sobretudo após a expansão da internet: "As pessoas estão cada vez mais seletivas em relação àquilo que vão ler.", afirma Garcia.
Quando essas adaptações são feitas de maneira equilibrada, o público se torna seu maior beneficiado. Se é ele quem dita o itinerário dessas transformações, o Jornalismo terá, cada vez mais, a cara de quem o recebe, podendo fechar brechas para distorções ou mesmo evitando o desperdício de informação.
Esse cenário de mudanças é mais uma arma na luta pelo Jornalismo saudável e mais uma tarefa para quem o provocou, o público, que se faz 'eternamente responsável por aquilo que cativou'.

postado por Luiz Felipe Leal em http://www.unb.br/fac/sos/site/index.htm

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