8 de jun de 2009

Um pouco de colaboratividade

Depois de discutirmos sobre Jornalismo Popular e Jornalismo Literário, irei falar sobre uma ousada experiência que acontece nos Estados Unidos envolvendo uma outra forma de produção de conteúdo jornalístico: o Jornalismo Colaborativo. Trata-se do Spot Us uma organização sem fins lucrativos, que se define como "jornalismo financiado pela comunidade". A idéia é que os cidadãos não só proponham uma pauta, mas também fiquem responsáveis por arrecadar fundos para a investigação da matéria. Mas antes de continuarmos falando mais sobre esse projeto, precisamos saber o que é esse tipo de jornalismo.

Jornalismo Colaborativo, Jornalismo Cidadão, ou ainda Jornalismo Participativo é o tipo de jornalismo em que há interferência direta do público. As pessoas deixam de ser apenas espectadores e passam a ter um papel ativo na produção da reportagem. Resumindo: há jornalismo colaborativo quando a participação do público for essencial para a existência da matéria.

O Jornalismo Colaborativo foi crescendo conforme as mídias digitais ganhavam maturidade. A Internet possibilita qualquer um relatar os acontecimentos que julgar mais importante. Desse modo, os jornalistas têm agora milhares de aliados nas tarefas de apuração e coleta de informação. Qualquer um pode criar uma notícia.

As grandes empresas de comunicação já perceberam a importância desse movimento. Cada vez mais cidadãos leigos participam do processo de criação da reportagem, se não produzindo, mas comentando, enviando fotos ou sugerindo pautas. Para citar alguns exemplos de como esse tipo de jornalismo é praticado aqui no Brasil temos o VC no G1, o VC Repórter e o Minha Notícia.

A idéia do site norte-americano Spot Us é extremamente interessante: os cidadãos propõem um tema e arcam com as despesas da investigação e da produção da reportagem. Digamos que uma fábrica tem despejado seus resíduos tóxicos num rio próximo à comunidade em que você vive. Se você gostaria de ver uma reportagem denunciando essa fábrica, sugira o assunto ao Spot Us. Depois disso ajude a levantar fundos para a organização contratar os jornalistas e pagar os custos com a reportagem. Quando a matéria estiver pronta a Spot Us vai trabalhar para divulgar o trabalho no maior número possível de meios de comunicação. Com isso, consegue-se promover a participação e a interação do público no processo de produção da notícia, dando voz a comunidades e temáticas muitas vezes esquecidas pela grande mídia. A partir de projetos como esse, que vemos a concepção de notícia mudar. Ela passa a ser vista muito mais como o resultado de uma troca entre o jornalista e o público do que uma escolha unilateral restrita somente àqueles que trabalham na redação de um veículo de comunicação.

A experiência é ainda mais inovadora porque, espelhado nas milhares de pequenas doações que sustentaram a campanha de Obama, o projeto requer que as pessoas financiem a reportagem. A ferramenta colaborativa inova, mas é necessário cautela, pois uma das críticas que se faz a todas as formas de Jornalismo Colaborativo é a de que por trás do interesse em participar da produção da reportagem haja também intenção de se promover a própria imagem e outros interesses individuais ocultos na participação popular.

O projeto é colocado à prova no momento em que jornais de todo o mundo, especialmente nos Estados Unidos, demitem funcionários para diminuir os custos e ainda reduzem a quantidade de matérias investigativas. Essa pode ser uma boa resposta à crise do jornalismo tradicional. Eis um projeto que vale ser acompanhado de perto.

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