15 de jun de 2009

"A internet é o fast-food da informação", diz Gay Telese

Texto extraído do portal "Comunique-se".


O ícone do jornalismo mundial Gay Talese, reconhecido como um dos fundadores do New Journalism, solta o verbo contra a internet e as novas tecnologias. Para o autor do perfil “Frank Sinatra has a cold” – considerada a melhor reportagem já publicada pela revista americana Esquire –, “a internet é o fast-food da informação. É feita para quem quer atalho, poupar tempo, conclusões rápidas, prontas e empacotadas”.
“Para piorar, surgiram esses blogs com blogueiros desqualificados, que apenas divulgam fofoca. São como uma torcida num jogo de futebol que fica o tempo todo gritando para os jogadores, para o juiz. É gente que não apura nada, só faz barulho", disse Talese em entrevista a Veja (íntegra para assinantes).
A geração atual de jornalistas também não foi poupada. Talese criticou a falta de “ceticismo” e estranhamento dos profissionais de imprensa.
“Os repórteres de hoje cobrem a guerra dentro dos tanques das tropas americanas. É ridículo. Um repórter deve prestar contas ao seu jornal, e não ao coronel que está protegendo a sua vida”, afirmou.
"A crise é dos jornais americanos"Apesar das críticas, Talese acredita no futuro do jornalismo. Ao comentar a atual situação financeira da imprensa americana, foi direto: “A crise dos jornais americanos não é uma crise do jornalismo americano”.
“As pessoas esquecem que os jornais vão e vêm. O jornalismo, não. As pessoas vão sempre precisar de notícia e informação. Sem informação não se administra um negócio, não se vende ingresso para o teatro, não se divulga uma política externa. Todos os dias, nos jornais das cidades grandes ou pequenas, repórteres vão à rua para fazer o que não é feito por mais ninguém”, disse.
"Acho uma profissão honrosa, honesta"Aos 77 anos e dedicando seu tempo aos livros, Talese ainda se encanta com a profissão e diz ter “orgulho de ser jornalista”.
“De todas as profissões, se um jovem estiver interessado em honestidade e não estiver interessado em ganhar muito dinheiro, eu aconselharia o jornalismo, que lida com a verdade e tenta disseminar a verdade. Há mentirosos em todas as profissões, inclusive no jornalismo, mas nós não os protegemos. Os militares acobertam mentirosos. Os políticos, os partidos, o governo, todos fazem isso. O escândalo do Watergate é uma crônica de acobertamento. Os jornalistas não agem assim, não toleram o mentiroso entre eles. Acho uma profissão honrosa, honesta”.

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