15 de mai. de 2015

O meio é a mensagem

    Por Aghata Gontijo
    
    Na terça-feira dessa semana uma jovem morreu ao subir acompanhada de uma amiga no topo de um trem. Anna tinha 18 anos e era romena. A garota faleceu, segundo o jornal Mirror, pois ao se deitar sobre o transporte sua perna entrou em contato com um fio de energia. O choque de 27 mil volts queimou metade de seu corpo e a jovem não resistiu.
    A tragédia tomou um espaço tímido entre algumas matérias curiosas pelo fato de Anna ter feito isso em função de conseguir uma selfie.
    Definida pelo próprio Mirror como “selfie-obsessed teenage girl” (adolescente obcecada por selfies) Anna me fez pensar - confesso que não só por mim, valeu sos  - sobre a matéria além da tragédia. Obviamente essa morte não foi parar em uma página com direito a manchete e tudo mais unicamente por ser uma tragédia.
    O jogo está em uma palavra, e sua importância real bem longe de Anna, ou da sua amiga ou do trem.
    O fato de ter tentando documentar uma ação perigosa para, segundo sua amiga registrar uma “selfie-definitiva” o que quer que isso queira dizer -  pois eu me recuso a reconhecer o caráter mórbido dessa denominação - foi a queda e de certa forma a ascensão de Anna.
    Permita-me esclarecer para que eu mesma não me torne demasiadamente macabra. Subir em um trem com uma amiga e acabar morta por uma fatalidade provável, levando em conta o risco da ação, não teria grande probabilidade - e isso eu digo embasada em minhas aulas sobre valor-notícia e outros miúdos jornalísticos - de aparecer na seção Tecnologias e Games do G1, já que provavelmente o acontecimento nem seria publicado porque a cena em si não é noticia. Duas adolescentes colocam sua vida em risco. Se eu adicionasse até mesmo que ambas o fizeram para mostrar o feito aos amigos, adivinhem: Ainda não.
    Mas a palavra selfie é uma palavra chave para o momento. Ela é o momento.

    Quando as pessoas oferecem seu arroba antes mesmo de oferecer o próprio nome, e lotam uma rede social especializada em fotos de si mesmas, o mundo parece se dividir em idolatria e demonização. Quase como com os profetas, as selfies têm seus fiéis seguidores e seus perseguidores. É uma entidade moderna, com nome, espaço próprio e um valor notícia maior do que o de muitas celebridades por aí, até mesmo que o da famigerada morte.

13 de mai. de 2015

O que está acontecendo no Mediterrâneo?


Desde o início do ano de 2015, mais de 1.500 pessoas morreram nas águas do Mediterrâneo. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) afirma que o número de mortos no primeiro trimestre de 2015 é 30 vezes maior que o do mesmo período de 2014. Segundo Adrian Edwards, o porta-voz da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), apenas no mês de abril, foram 1.300 mortos no Mediterrâneo, um recorde trágico.

Notícias relatando naufrágios e mortes no Mediterrâneo já se tornaram comuns. A situação atinge níveis alarmantes, e o número de imigrantes ilegais cresce exponencialmente. Até abril, mais de 57.000 imigrantes chegaram à Europa de forma ilegal, - quase três vezes mais que os 22.500 do primeiro trimestre de 2014 - segundo dados da agência europeia de controle de fronteiras externas (Frontex). Desse número, 10.200 chegaram pelo Mediterrâneo Central - principalmente, a Itália.

Para entender a situação, algumas perguntas devem ser respondidas.

Primeiro: quem são os imigrantes e de onde vêm?

A primeira coisa a pautar, - frequentemente esquecida pelo uso do termo "imigrante" que desumaniza pessoas - é que esses indivíduos possuem histórias pessoais que os levaram a partir em busca de melhores condições de vida.

A Síria é o país de origem mais comum entre esses imigrantes. Com um conflito que já dura quatro anos e que já deixou mais de 200 mil mortos, o país apresenta um deslocamento humano sem precedentes. O segundo país do qual mais pessoas partem em direção à Europa é a Eritreia, um país do nordeste africano cuja situação econômica e política permanece extremamente inquietante para o contexto internacional, além das frequentes violações de direitos humanos. Além desses, países como Afeganistão, Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Líbia, e vários outros, também figuram na lista dos países de origem.

Segundo: como se dá a travessia?

As pessoas que desejam migrar ilegalmente para a Europa procuram os traficantes de pessoas para fazerem a travessia do mar Mediterrâneo. O principal ponto de saída é a Líbia, que desde os anos 1980 atrai imigrantes de toda a África, em busca de melhores condições econômicas.

O tráfico de pessoas se tornou extremamente lucrativo. Giampaolo Muschemi, coautor do livro Confessions of a People Smuggler, estima que o tráfico no Mediterrâneo gere entre 300 milhões e 600 milhões de euros por ano. As autoridades líbias não conseguem lidar com o grande número de barcos que saem da costa, raramente parando traficantes. Assim, os barcos vão e voltam livremente, levando cada vez mais imigrantes para as costas europeias.

Terceiro: o que acontece depois da chegada em solo europeu?

A política de asilo da União Europeia foi algo difícil a se harmonizar, considerando que são 28 membros, cada um com sistema próprio. De acordo com o Regulamento de Dublin, a responsabilidade sobre o pedido de asilo recai principalmente sobre o estado-membro que "recebeu" o requerente, ou seja, o primeiro país em que a pessoa "pisou" ao chegar na Europa. Essa regra causa controvérsia, principalmente por reclamações por parte de países como a Grécia, que reclamam que são inundados por pedidos, devido ao fato de eles terem sido o primeiro país europeu em que o imigrante entrou.

O imigrante deve provar que está fugindo de perseguição e que poderia enfrentar perigo ou morte caso voltassem ao seu país de origem. A expulsão em massa não é permitida pelo regulamento da UE. O requerente de asilo tem direito a ser alimentado, receber primeiros socorros e cuidados em um centro de acolhimento.

Segundo a Agence France Presse (AFP), a UE concedeu asilo a 185 mil pessoas em 2014. Desse número, 70.000 são sírios. Esse número, claramente, não é suficiente para lidar com a totalidade do problema. Considerando o grande número de imigrantes que chegam semanalmente ao continente.

Quarto: e as autoridades?

Líderes políticos, em muitos casos, custavam a fornecer mais meios para a melhora da situação afirmando que, assim, estimulariam os traficantes e imigrantes. Claro que não lhes ocorreu pensar sobre as vidas que seriam salvas. No entanto, com o número de mortes crescendo, e as tragédias mais frequentes, as pressões não tardaram a chegar.

Zeid Ra'ad Al Husein, alto comissário da ONU para os direitos humanos, acusa a UE de adotar políticas cínicas em relação à imigração. Zeid afirma estar horrorizado, mas não surpreso com as tragédias. "Estes mortos e as centenas que os precederam nos últimos meses eram previsíveis". O alto comissário afirma, ainda, que as mortes são resultado de um fracasso de governança e uma "imensa falta de compaixão".

O secretário geral da ONU, Ban Ki-Moon afirmou que "o Mediterrâneo se transforma rapidamente em um mar de sofrimento para milhares de imigrantes". O papa Francisco apelou a comunidade internacional a "agir com decisão e rapidez".

Com a pressão sofrida, a União Europeia convocou uma cúpula de chefes de Estado e de Governo para deliberar sobre o assunto.

Entre as medidas adotadas, está a ampliação do orçamento da Operação Tritão, o programa de proteção das fronteiras da UE. A operação Tritão, por si só, já foi alvo de críticas por vir substituir a operação Mare Nostrum, que tinha um escopo mais abrangente no que tange buscas e salvamento. A ampliação do orçamento da operação Tritão é de três milhões de euros por mês para nove milhões de euros.

Outras medidas foram:

  • permissão para destruir barcos dos traficantes de pessoas;
  • processamento dos pedidos de asilo em até dois meses após eles terem sido efetuados;
  • coleta de digitais e cadastramento de todos os imigrantes;
  • um programa voluntário de realocamento de imigrantes;
  • oferta de ajuda para retorno aos países de origem;
  • presença de oficiais de imigração em países-chave;
Além dessas medidas, a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, defendeu uma ação militar contra o tráfico de seres humanos pelo Meditarrâneo, e para tanto, busca aprovação no conselho de segurança da ONU.


8 de mai. de 2015

Se você conseguiu ler isso, agradeça um professor (ou tire uma 'selfie')



Por Carolina Nascimento

                Na moderna época tecnológica, de rápidas e imprevisíveis mudanças, quem posta a selfie - ou autorretrato - primeiro é rei. Acordou? Selfie. Está fazendo um solzão? Selfie. Vai comer arroz no almoço? Selfie. Foi ao banheiro? Selfie. A vó ficou doente? Selfie. O partido político a que me oponho está na TV? Vídeo de selfie batendo panela bem altão. O professor foi espancado, atacado com bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha? Self... Espera, aí não.
                Por mais arbitrário que isso possa parecer, não é. Da mesma forma que a grande mídia em seu oligopólio seleciona e hierarquiza quais e como os acontecimentos serão divulgados, a massa consumidora de tal entretenimento é guiada para o mesmo caminho em total leniência, quase que inconscientemente.
            Para quem já se esqueceu (como disse, estamos na época de efemeridades), no dia 29/04/2015, em ato contra o projeto do governo estadual para mudar a forma de custear a ParanaPrevidencia, mais de 200 professores e manifestantes ficaram feridos após ataque com incessantes bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha da polícia militar. Mas nenhum “pau-de-selfie” foi esticado para tirar uma foto com o corpo ferido do professor deitado no asfalto quente.
                Por outro lado, no dia 05/05/2015, o evento “panelaço” contagiou as redes e a grande mídia. Então qual é o mecanismo que explica a veiculação em rede nacional e em horário nobre de vídeos amadores do som estridente de algumas panelas do alto de aquecidos lares e o abafamento do massacre vivenciado pelos professores da rede de ensino público do Paraná?        
                O esforço de tal reflexão me faz conjeturar hipóteses com base em três recentes matérias: [1] o lançamento do mais novo aplicativo iPanelaço, em que o manifestante pode escolher entre 6 diferentes sons de panela e assim não precisa amaçar a caçarola. [2] a iniciativa da revista Veja de criar o seu próprio panelaço virtual; e [3] a empresária paulista lançando sua linha de camisetas pró-impeachment. Bem, continuemos refletindo enquanto esperamos o próximo aplicativo “iProfessor” ser lançado.                                                                 

[3] http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2015/05/1624649-empresaria-que-ficou-nua-em-protesto-lanca-linha-de-camisetas-pro-impeachment.shtml

1 de mai. de 2015

Precisamos falar sobre a Nova Lei de Mídia Democrática

Por Ana Laura Corrêa

Na semana em que foram "descomemorados" os cinquenta anos da Rede Globo, precisamos falar sobre a nova Lei de Mídia Democrática, assunto proibido para a grande mídia, se quisermos mudar a comunicação no país 
   




Quando o assunto é uma nova lei para a regulação da mídia no país, os grandes veículos de comunicação já apontam que se trata de uma tentativa de censura. No entanto, não se trata de censura, mas de trazer pluralidade e diversidade aos meios de comunicação.
No Brasil, as leis que regem o âmbito das comunicações estão no Código Brasileiro de Telecomunicações, de 1962. Nesses mais de 50 anos, o que se verifica é um monopólio por parte de algumas poucas empresas - apenas seis são responsáveis por mais da metade dos jornais impressos em todo o país, por exemplo. Desde 1962, o que se vê é o controle dos meios de comunicação por alguns políticos e famílias (família Marinho - Globo; família Abravanel - SBT; família Saad - Bandeirantes). A mídia brasileira representa atualmente poucas vozes. Para garantir a liberdade de expressão, a lei precisa ser alterada.
Por isso, surgiu a proposta de uma nova Lei de Mídia Democrática (disponível para download aqui). A lei, de iniciativa popular, tem 33 artigos. O artigo 5, por exemplo, traz que deve existir uma complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal. Ou seja, será reduzida a soberania de poucas empresas privadas que é verificada hoje e ampliada a participação popular na mídia pelas empresas públicas.
O artigo 14, por sua vez, estabelece que um mesmo grupo econômico não pode ser dono de mais do que cinco emissoras. Já o de número 28 traz que os meios de comunicação devem garantir a acessibilidade de pessoas com deficiência visual ou auditiva, por meio dos recursos de audiodescrição, legenda oculta e interpretação em libras.
Vale lembrar que países como Alemanha, Espanha, Inglaterra e França já regularam seus sistemas de mídia. Chegou a vez do Brasil. Como o projeto de lei é uma iniciativa popular, precisa da assinatura de 1% do eleitorado brasileiro (cerca de 1,4 milhão de pessoas) para ser levado ao Congresso. Você pode contribuir assinando aqui.

25 de abr. de 2015

PL que propõe a amplificação da terceirização no Brasil tem sua primeira vitória na Câmara dos Deputados

Na última quarta-feira(22), foi aprovado em votação ocorrida no plenário o Projeto de Lei(PL) de nº 4330/2004, de autoria do ex-deputado e empresário do ramo alimentício Sandro Mabel. O projeto, que nunca chegou a ser avaliado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania(CCJC), foi desengavetado pelo atual presidente da Câmara dos Deputados, o deputado Eduardo Cunha (PMDB – RJ) após apenas dois meses do início de seu mandato.
Se sancionado, o documento oficial da PL alterará a conjectura da legislação atual na medida em que, entre outros, acabará com a responsabilidade solidária das contratadas e tornará legal a terceirização em todos os setores de uma empresa, incluindo atividades-fim, e permitirá que haja inclusive quarteirização de serviços, tanto em empresas privadas quanto em públicas. Atualmente, a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho(TST) proíbe a contratação para atividades-fim, todavia sem especificar as diferenças entre as mesmas e as atividades-meio.
Um dos principais argumentos do autor do projeto é o de que “a terceirização é a evolução do mundo”, tendo na época de sua proposta chegado a comparar o processo à entrada das mulheres no mercado de trabalho e ao consequente aumento no número de babás.
Ainda no texto oficial, Mabel justifica: “[...]Novas formas de contratação foram adotadas para atender à nova empresa. Nesse contexto, a terceirização é uma das técnicas de administração do trabalho que têm maior crescimento, tendo em vista a necessidade que a empresa moderna tem de concentrar-se em seu negócio principal e na melhoria da qualidade do produto ou da prestação de serviço. [...]”
Os argumentos dos defensores da PL (entre eles a Rede Globo e a Federação de Indústrias do Estado de São Paulo) incluem maior fiscalização e comprometimento da parte das empresas contratantes e maior proteção aos 12 milhões de brasileiros que já se encontram nessa situação. O texto integral, entretanto, não especifica em momento nenhum de que forma isso seria feito, nem descreve como ficariam o FGTS, os auxílios-doença, as políticas de prevenção a acidentes de trabalho (8 em cada 10 ocorrem com terceirizados, segundo censo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos em 2013), o alto índice de assédio moral, a licença-maternidade, os vale-alimentação e vale-transporte, as férias e o 13º salário.
Uma das diferenças gritantes entre o trabalhador terceirizado e os demais é o afastamento dos movimentos sindicais entre os primeiros, muitas vezes em virtude da pouca estabilidade que esse modo de serviço propõe. Dessa forma, quem ganha mais liberdades e benefícios são as empresas e não os empregados, que acabam à mercê das inadimplências de seus patrões; afinal, a PL em discussão declara que, em relação ao funcionário terceirizado, a responsabilidade da empresa contratante seja subsidiária. Isso na prática significa que a empresa que contrata o serviço será acionada na Justiça do Trabalho somente quando a contratada não cumprir as obrigações trabalhistas e após ter antes respondido na Justiça.
Dificilmente uma lei beneficia tanto o lado do empregado quanto o do empregador, visto que as prioridades de uma empresa estão sempre pensadas a partir de um pensamento mercadológico e não social, e seria ingênuo acreditar no contrário. Em entrevista concedida ao SOS Imprensa, Marcos Antônio*, porteiro da UnB contratado pela empresa terceirizada Planalto declarou que não tem férias há 3 anos, e alguns de seus companheiros de trabalho chegam a estar há 5 anos sem período de descanso.
Outra funcionária da prestadora de serviços completa: “A empresa vem e faz contrato emergencial, que eles chamam. De 6 meses. Dá 6 meses e muda. E como a gente precisa do emprego... O pessoal tá desde Janeiro sem receber o aumento do tíquete(alimentação). Era pra ser aumentado em 240 reais.”
O contrato emergencial a que ela se refere está regulamentado pelo artigo 5º da PL, conforme descrito: “São permitidas sucessivas contratações do trabalhador por diferentes empresas prestadoras de serviços a terceiros, que prestem serviços à mesma contratante de forma consecutiva.” Não há nenhuma expectativa, portanto, de melhoria quanto a esse problema, nem mesmo na legislação – quem dirá na prática.
Como ao fim da relação de trabalho, não haverá maneira de o empregado entrar com ação judicial de reconhecimento de vínculo empregatício e assim recuperar os direitos e valores perdidos com manobras patronais, por exemplo, os direitos trabalhistas conquistados com a CLT ficariam extremamente prejudicados. Além disso, segundo levantamento feito pelo TST, as empresas prestadoras de serviços representam 22 das 100 empresas que possuem mais processos julgados vencidos pelo funcionário e não quitados por elas nos tribunais trabalhistas brasileiros (sendo 5 das 20 primeiras pertencentes aos setores de mão de obra, vigilância, conservação e limpeza).
Além disso, segundo Sandra Maria Souza, que trabalha na Justiça Trabalhista desde 1982, a maioria das execuções contra empresas evaporam porque as mesmas anteveem as condenações, fazem acordos e saem impunes. É nesse sentido que os movimentos sociais e sindicais se opõem fortemente ao projeto e têm organizado atos de repúdio no Brasil inteiro, como os ocorridos no último dia 15, que foram tão incisivos que acabaram forçando o deputado Cunha a adiar a votação no plenário para o dia 22, quando foi enfim aprovada e será encaminhada ao Senado, onde a PL encontrará mais obstáculos: o presidente do Senado Renan Calheiros(PMDB – AL) já se posicionou contra a maneira apressada com que o assunto vem sido tratado no momento.
*O nome foi alterado para proteger a identidade do entrevistado.
Letícia Leal